Crise programática
A atual crise tem raízes firmemente plantadas na eleição de 2002 e nas cessões programáticas que o PT fez para se eleger. Já foi dito nesta Página que as pressões que resultaram em um ataque especulativo na eleição de 2002 contra o candidato do PT se dava por uma aposta.
A cada pedido de propostas “críveis”, como dizia o ex-ministro da Fazenda, Pedro Malan, havia uma cessão por parte de Lula e do comitê de campanha.
Se na campanha, José Serra agradaria ao mercado e as elites como um superávit de 3,5%, pedia-se a Lula um compromisso cada vez maior com a esperança de arrancar dele e do PT atitudes mais ortodoxas que as do Delfim.
O resultado foi um governo fraco programaticamente e que prefere se dizer inepto para não declarar que sabia de um escândalo de compra de votos no Congresso.
O PT lutou pela ética na política, mas pela prioridade do social. As raízes da crise atual remetem para uma opção feita por Lula e pela direção da campanha, um tempo atrás, quando optaram por uma política econômica que, na verdade, foi a razão da queda da popularidade do Lula. “Uma coisa é esse apoio passivo, da consulta. Outra coisa é a mobilização concreta, ativa, com que o PT e Lula contavam no passado", disse o sociólogo Emir Sader ao UOL News.
Para o sociólogo, "hoje, Lula não convoca mobilizações. Ele Tem até um certo receio da reação de pessoas, das manifestações populares, quando vai a atos públicos. Essa imagem está abalada”.
Emir considera que Lula teria apoio parlamentar sem negociação se ele mantivesse o apoio popular ativo que tinha no começo. “Aquele discurso da mudança, a luta contra a fome, a prioridade social, aquilo que ele falou na campanha. Ele teria esse apoio. Não teria necessidade de negociar. Antes de falar, 'ah, não tenho maioria, tenho que negociar'”, disse.
